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Bordas e limites para um casal mais feliz

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

 Há algum tempo venho pensando sobre as discussões e brigas que acontecem com os casais, amigos ou qualquer outro relacionamento racional e tenho chegado à conclusão de que o principal problema da divergência entre opiniões são os limites que não colocamos à nossa própria experiência de vida.
Estas limitações são como bordas imaginárias que criamos de forma quase sempre inconsciente para limitarmos a outra pessoa ao nosso próprio ponto de vista. O problema é que quando observamos demais o outro esquecemos de enxergar a nós mesmo, assim não respeitamos nossos próprios limites.

 Nossa experiência de vida e toda  a hereditariedade que trazemos nos dão mecanismos de auto defesa contra qualquer possibilidade que possa ser além de nossa capacidade entendimento ou controle.
Por este motivo sempre que nos deparamos com uma opinião diferente à nossa nosso subconsciente precisa se transformar, expandindo para novas possibilidades de reformulação do ponto de vista ou se deter na idéia já fixada, forçando o outro a se convergir e aceitar a sua opinião, ou seja, forçando o outro a expandir e reformular o conteúdo. Mas infelizmente nem todos tem uma mente tão expansível quanto irracional.

bordas
Um caminho estreito, mas o mais seguro.

E nem todos querem se adaptar.

 Criamos bordas em tudo que diverge de nossa opinião e isso pode ser perigoso, pois bordas são limites e limites requerem uma aceitação e aceitação requer certa submissão ao outro. Deve ser natural e gradual para que nosso prazer não estrague a personalidade do outro.

Propor limitações é como dizer “Eu quero que você seja do jeito que eu espero que seja”

 Por um lado esta percepção pode parecer um tanto quanto egocêntrica e até mesmo um tabu inaceitável de uma vontade particular egoísta, porém  as adaptações nos relacionamentos foram, são e sempre serão necessárias para uma “boa vizinhança” entre os indivíduos do casal.
Fazendo uma analogia à realidade clássica temos as engrenagens que sofrem desgastes, tem formas diferentes, podem ser mais ou menos aceleradas, mais ou menos eficientes. Tudo isso implica em cuidados e adaptações para um bom funcionamento e como às reais somos engrenagens moldadas ao acaso que de uma hora pra outra temos que nos encaixar e rodar o motor de um querer mútuo.

 Somos pessoas formadas por universos diferentes que se chocam com outros universos e então convergem para uma mesma vontade, um mesmo ponto de vista, uma mesma rua imaginaria, uma mesma direção... Mas às vezes essas vontades são tão diferentes, confusas ou ambíguas que propõem contornos.
Nossas vontades são todas as experiências materializadas em perspectivas de futuro e em essência do ser. São caminhos por vezes espinhosos para os que tentam atravessar com idéias e perspectivas diferentes. Sempre um sairá machucado e o outro se sentirá invadido.

Continue lendo ao som de um blues:


 Vocês discutem, mas você percebe que ela está sendo mais sensata e até mais racional que você, então seguindo a idéia deste texto, você pode aceitar os limites de raciocínio que ela está propondo e se moldar às bordas inconscientes dela e se enquadrar em um novo ponto de vista. Ou por outro lado você pode não aceitar o limite de idéia vindo dela e impor seus limites, forçando-a a se enquadrar no seu próprio ponto de vista, sua própria vontade.
Tudo isso é como um jogo eterno onde o vencedor ou o perdedor são sempre ambos e este jogo só termina com a fadiga ou o engrandecimento do casal.

 Saber andar dentro da experiência de vida de sua namorada, seu namorado, esposa ou marido, amigo ou amiga é como escalar uma montanha sinuosa de cascalho antes de chegar a um paraíso natural.
É saber conciliar as próprias vontades com os desejos específicos do outro.
É saber explorar as possibilidades sem destruir o caminho.
É convergir para si mesmo trazendo o outro para dentro, criando um novo ser múltiplo de varias experiências espetaculares.

Um casal que sabe se adaptar às limitações impostas pela essência do parceiro é um casal mais feliz e generoso com si próprio, proporcionando prazer e perspectiva de um futuro prospero sem tropeços inúteis.